Nesta notícia percebemos um avanço considerável da dívida externa dos países ricos, subindo de 47% para 61% do PIB global nos últimos quatro anos, alcançando o número 42 trilhões de dólares, como foi expresso pela agência Standard & Poors. Esta informação foi uma coincidência nada agradável com minha última leitura de István Meszaros, na coletânea de artigos “Crise Estutural do Capital”. O filósofo húngaro em seus artigos caminha por uma via não muito usada pelos marxistas em geral: sua crítica estrutural e suas propostas “para além do capital” se firmam em um sentido inverso do próprio Marx em que o’O Capital o próprio capitalismo poderia superar todas suas crises, mas não conseguiria superar as revoltas e o “aufklärung” (esclarecimento) das massas à medida que diminui o número dos magnatas capitalistas que usurpam e monopolizam todas as vantagens desse processo de transformação, aumentam a miséria, a opressão, a escravização, a degradação, a exploração; mas cresce também a revolta da classe trabalhadora, cada vez mais numerosa, disciplinada, unida e organizada pelo mecanismo do próprio processo capitalista de produção. O monopólio do capital passa a entravar o modo de produção que floresceu com ele e sob ele. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho alcançam um ponto em que se tornam incompatíveis com o envoltório capitalista. (MARX. O Capital, L. 1, V.2, p. 881). No sentido inverso, Meszáros aposta não na implosão marxiana em que o modelo sistemático iria, dentro do processo histórico, desmascarando seus antagonismos na contradição básica entre “apropriação privada” e “produção coletiva” – uma versão implosiva da ordem capitalista -, e sim na incapacidade do capital sair de suas fronteiras econômicas – o avanço da dívida externa e sua sensível relação com o capital financeiro -, e naturais na incapacidade energética do mundo de “democratizar” o consumo em padrões estadunidenses (a população dos EUA consomem 25% da energia produzida no mundo), e vemos então uma versão explosiva da ordem capitalista. Ao alcançarmos esta marca histórica em que o governo dos Estados Unidos luta dentro do Congresso para diminuir os gastos do Estado em função de estabilizar a dívida em 110% do PIB nacional (!), marcado principalmente pelo os que os jornais chamaram de crise de confiança nas convulsões do mercado financeiro em 2008, o planeta passa seus dias torcendo pelo sucesso de um equilibrista esquizofrênico, que sua queda não seria nada mais que uma falência geral sem precedentes.
A tendência de nosso mundo desenvolve-se para uma explosão apocalíptica, e não à uma implosão revolucionária. O papel do socialismo se torna cada vez mais a salvação de um devir histórico, do que apenas uma transcendência para uma proposta de liberdade. Voltemos ao necessário processo histórico – a história da propriedade privada – para responsabilizarmos com o futuro, que não se baseia na progressiva consciência anti-ideológica, mas simplesmente na bancarrota de todas nossas condições de vida.
Yuri Gomes Alves
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